sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A velha e complicada discussão da audiência no Brasil

O que mais se comentou nos bastidores da TV nesses últimos dois dias, foram os números de terça-feira divulgados pelo Ibope, referentes ao período em que houve falta de energia na Grande São Paulo, base da pesquisa, além de outros tantos lugares.

A audiência apresentada, percebe-se, apenas reforçou a desconfiança das demais redes em relação à sua leitura. Ainda há uma estranheza muito grande com os 9 pontos de média alcançados pelo “Casseta”, que teve 95% do seu tempo dentro do apagão.
Isto, no campo das possibilidades, conduziu muita gente a imaginar que o registro desses índices saiu de residências com geradores próprios e que grande parte da amostra pode estar concentrada nas classes mais elevadas.

E aqui, uma pausa se faz necessária: na quarta-feira, o Ibope foi procurado por esta coluna e informou que tem uma “estrutura preparada para o recebimento das informações coletadas, independente da ausência de energia elétrica, uma vez que possui geradores próprios de energia em sua central”.
O mesmo, no entanto, imagina-se, não deve acontecer em todos os domicílios onde estão instalados os “people-meters”.

Outro exemplo, segundo dirigentes dessas emissoras – que evidentemente não querem ser identificados, foi o fato de, no auge da escuridão, um flash do “Jornal da Globo”, às 23h57, com 19 minutos de duração, fazer a emissora subir de 2 para 3 pontos, que acabou sendo a média do “Profissão Repórter”, exibido entre 23h57 e 00h34.

Neste momento, em que tudo acontecia a favor da Globo, todas as demais, entre elas, SBT, Record e Band, amargavam os previsíveis traços de audiência.

É o velho e polêmico assunto que envolve a medição de TV no Brasil. Por mais que se fale e se discuta a respeito, sempre fica difícil chegar a alguma conclusão.

por Flávio Ricco

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