segunda-feira, 27 de julho de 2009

CAPITULO 45 - Última Semana


Nunca poderia imaginar que ele seria capaz de fazer essa coisa e não entende o porque da situação.
Ao sair da delegacia o detetive segue até a pensão onde está hospedado e no caminho não tira a história da cabeça. A vida de um cara que sai de sua terra para conquistar espaço em um lugar como São Paulo, acabaria nesse mar de lama, as pessoas fazem isso apenas por desespero e sem condições de vida e vê que a única maneira de sobreviver é com a marginalidade e se tivesse um trabalho digno, em um ambiente adequado, nada disso aconteceria, se as pessoas que tem um pouco mais que as outras dessem oportunidades para mostrar o que sabem nada disso aconteceria, ao ver crianças soltas pelas ruas sem um destino certo, não têm onde morar vive nos bancos de praças e a única maneira de sobreviver é roubando ou traficando drogas e enganando os outros.
O detetive fica imaginando:
DETETIVE AGRIPINO NORONHA - como será difícil eu ir até o apartamento e prender o meu melhor amigo e como será a reação dele quando vê a que to lá fazendo o meu papel, pra ele a situação não vai ficar muito boa.
O dia amanhece, ao tomar café, lembra da primeira vez que o conheceu, no dia do assassinato e quando foram morar juntos, das conversas que tinham no dia da despedida que ia morar com sua mulher novamente, todos esses momentos fazem parte de sua vida e agora ia ficar a lembrança de tudo isso guardado em sua memória, pensar que no momento que entrar no apartamento Dançarino não vai lhe perdoar ao escutar que está preso.
Chegando a delegacia:
DETETIVE AGRIPINO NORONHA - Assuma o caso porque não vai dar para continuar a frente. Assustado com a decisão, o companheiro de trabalho, Júlio Menezes, tenta fazer com que o detetive mude de idéia e siga até o final, tão próximo de tudo se resolver, não pode desistir.
JULIO MENEZES – Que isso amigo, tão perto e você vai dar pra traz, o que houve?
DETETIVE AGRIPINO NORNHA – Pensei bem, e não vou poder continuar, é triste prender um amigo, um irmão em quem agente confia.
Agripino olha bem para seu colega e fala na convivência que teve com Dançarino e não pode de maneira nenhuma prender uma pessoa que admira tanto.
DETETIVE AGRIPINO NONHORA - Júlio, ele é meu único amigo, foi quem me segurou na hora mais difícil de minha vida e agora eu é que tenho de escolher o que devo fazer para ajudá-lo, a melhor coisa é abandonar tudo de uma vez e pedir minha transferência a tempo.
Júlio fica impressionado com a lealdade de Agripino:
JULIO MENEZES – Você é quem sabe.
Agripino pede sua transferência e Júlio Menezes passa a assumir o caso dos assassinatos na boate CHAMAS, ao retirar-se da delegacia, o detetive pega um táxi e some na manhã escura de São Paulo. Imediatamente Júlio Menezes pega uma viatura e segue até o apartamento de Dançarino para dar a notícia que ele é o acusado dos crimes.
Dançarino sem saber de nada fica em casa já que não conseguiu mais emprego e pensa em ir embora. A campainha toca, e rapidamente Dançarino abre a porta, toma um susto em ver três pessoas, e com um pouco de medo pergunta:
DANÇARINO - O que desejam?

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