
O caminho parecia uma eternidade para Dançarino e dentro do ônibus, os olhares voltados para a rua, percebendo como era bonita essa parte da cidade que Dançarino não conhecia.
DANÇARINO - Nunca andei por aqui.
MARCIA - Sem dúvida, eu gosto muito daqui, vivi muitos momentos bonitos, de passeios inesquecíveis, a comida é excelente, as pessoas são melhores ainda. É muito bom morar aqui.
DANÇARINO - É verdade, aqui é ótimo.
Os olhares de Márcia brilham ao ver que vai deixar de morar nesse lugar, lembra que foi muito feliz e que sempre que der vai voltar pra visitar um pedaço do paraíso que ficou nessa cidade que não cabe dentro dela mesma. Ao chegarem ao local, Márcia desce e por um momento pára e olha com um triste olhar de criança órfã procurando um lugar pra ficar em noite de frio. Vê seu prédio e pensar como foi feliz aqui e sente que a saudade vai ser a única coisa que ela vai deixar de lembrança. Ao subir, encontrar pessoas que vê no cotidiano, descendo pra trabalhar e voltando pra suas casas, no outro dia fazendo a mesma coisa.
DANÇARINO - O que foi Márcia, está triste?
MARCIA - Um pouco, gosto daqui e agora vou sair, deixar esse luar lindo, tenho que ficar triste mesmo.
Chegam ao apartamento, ao entrar, Márcia acende a luz e olha o quarto, o banheiro e não encontra suas colegas, apenas um bilhete em cima da mesa.
MARCIA - Olha, tem um bilhete aqui. Elas saíram e só voltam amanhã à tarde, vamos pegar minhas coisas e ir embora. Depois explico às meninas e fica tudo bem.
Começam a arrumar as coisas e conversam sobre diversos assuntos, Dançarino observa como Márcia está triste em sair desse bairro e vê que nos olhos não é o que ela queria fazer, sair do lugar onde mora desde a saída do sertão e que tudo que tem hoje foi conseguido aqui e que para ela significa muito.
DANÇARINO - Márcia, eu guardo essas coisas, suas louças de porcelana?
MARCIA - Cuidado com elas foram presentes que ganhei e dá sorte, não pode quebrar nada, tem um significado muito especial.
DANÇARINO - Tudo bem, eu só perguntei.
Dançarino puxa debaixo de uma cama uma bolsa e dentro dela encontra umas roupas diferentes e vê no fundo da bolsa outra bolsa menor e mostra a Márcia, ao ver ela corre, tira das mãos dele a pequena bolsa e assustada ela fica sem saber o que responder a Dançarino.
DANÇARINO - De quem são essas coisas?
MARCIA - São das meninas, quer dizer, eu acho que são.
MARCIA - Pronto, podemos ir.
Ao saírem do apartamento, Márcia dá seu adeus ao prédio com o olhar, dançarino pensa no comportamento de Márcia diante uma simples bolsa e de como ficou assustada, parecia que tinha alguma coisa dentro que ele não podia ver.
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