segunda-feira, 1 de junho de 2009

O QUE HÁ DE NOVO EM "TUDO NOVO DE NOVO"


Há uma lógica na TV - e não apenas na TV - que a aproxima do exótico, do bizarro, do estranho. Quanto mais esquisito e fora do normal, melhor. A minissérie Tudo Novo de Novo vai exatamente no sentido contrário. E por isso é tão boa.

A história de amor entre Clara, de Julia Lemmertz, e Miguel, de Marco Ricca, não se pendura em nenhum daqueles "ganchos" que sustentam as novelas desde os tempos de Victor Hugo e Alexandre Dumas, "tataravôs" de Glória Perez. Não há jóias roubadas, gêmeos separados na infância, uma grande herança em disputa, cartas roubadas com um segredo, sequer grandes heróis ou grandes vilões. Aliás, nada é fantástico ou grandiloqüente. Tudo tem o tamanho das vidas comuns. Assim como nós.

Essa é a grandiosidade da história bem urdida por Lícia Manzo, sob supervisão de Maria Adelaide Amaral. Clara e Miguel são duas pessoas absolutamente ordinárias que, pelo motivo mais simples - trabalham juntas - se aproximam e atam um romance. É um relacionamento que não sofre com ex-namorados ou namoradas psicóticos, passados misteriosos e outros truques dos folhetins. O único empecilho entre eles é a dificuldade em lidar com seus próprios problemas e desejos. Igualzinhos a qualquer casal.

A trama despida de sensacionalismo e de situações impossíveis sustenta-se na beleza de contar uma simples história de amor. A diretora Denise Saraceni levanta a bola do ótimo elenco ao deixar as cenas se conduzirem sem marcação cerrada ou desfechos bombásticos.

Porque as coisas vão acontecer de um jeito ou de outro. A Clara de Julia Lemmertz pode sofrer de amor, mas vai levar a filha para escola. O Miguel de Marco Ricca se ressente com a solidão e a ausência da amada, mas nem de longe vai dar o braço a torcer.

Reações normais inseridas no dia-a-dia. Destaque absoluto para a interpretação das crianças, distantes do perfil de engraçadinhas, geniozinhos ou de quaisquer outros estereótipos - duplamente - infantis. Elas são carinhosas, mesquinhas, doces e insuportáveis. Como as crianças costumam ser.

Tudo Novo de Novo bem que poderia se chamar "Como amar e manter as fantasias entre o trabalho pesado, a família carente e muitas incompreensões". Mas o título escolhido ressalta o modelo da família brasileira que, em grande parte, se estabiliza no segundo casamento. Mas também diz respeito a essa capacidade humana de superar adversidades e querer ser feliz.

O BOM DA COISA:
A cada novo capitulo de “Tudo Novo de Novo”, nos mostra que a TV brasileira ainda há espaços para boas atrações, e estão começando a entender o que realmente gostamos, pois com simplicidade está se construindo uma bela série com nada de extravagante, apenas o comum, onde nos auto-encontramos.

O RUIM DA COISA: Somos guiados constantemente com instintos, movidos por musicas, por mídia, pela TV, somos alienados a pensamentos torpes dos quais quase sempre não nos encaixamos no que vemos, é necessário uma analise mais minuciosa e criar uma programação mais voltada para o publico e não apenas em recursos financeiros para emissoras e mega-produções.

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