Casado há 15 anos com a atriz Julia Lemmertz, 46 anos, Alexandre Borges, 43, não acredita em vida perfeita, muito menos em casamento perfeito. ''Às vezes, acontece de a gente ter uma discussão. Isso não significa que vamos nos separar. Enquanto houver amor, vamos continuar juntos'', afirma. Sem fazer do romantismo uma bandeira, ele dá uma pista sobre os motivos que fazem sua relação duradoura. ''Em 2008, fizemos nossa primeira viagem de lua-de-mel. Reservei tudo e não contei para onde iríamos. Chegando ao aeroporto, comprei um anel para ela e enrolei a passagem nele. Fomos para Amsterdã, Veneza e Paris'', conta o ator, que é pai de Miguel, 9, fruto de sua união com Julia. E Alexandre não reserva esses gestos apenas para momentos especiais. Ele os espalha pelo seu dia-a-dia, como demonstra ao contar que sempre espera a mulher chegar com um jantarzinho preparado por ele mesmo. Em um passeio pelo Instituto Oi Futuro, um centro cultural no Rio de Janeiro, o ator, que está no ar como o Raul da novela Caminho das Índias (Globo), falou a Contigo! sobre sua maneira descomplicada de ver a vida.
Você e Julia estão casados há 15 anos. O tempo consome o casamento?
A gente se ama e, enquanto houver esse amor, ficaremos juntos. Nós não fugimos da rotina, procuramos ter uma. Somos diferentes. Jantamos todos em casa, na mesa, para conversarmos e saber como foi o dia um do outro. Nossa válvula de escape é o cotidiano. Vamos fazer 16 anos em junho e, em 2008, fizemos a primeira viagem de lua-de-mel. Ficamos 20 dias. Como estávamos precisando disso! Não é pensar: estou casado e o casamento é tudo! Isso reduz a vida da pessoa. É importante em seu dia-a-dia você separar tempo para a mulher, a caminhada, a leitura...
Mas vocês discutem a relação? Já passaram por crises?
A mulher tem tendência a esticar um pouco e o homem é mais prático. Acabou, vamos em frente. Discutir a relação não é só conversar sobre coisas ruins, também tem a parte boa. Por exemplo, vamos trocar o carro... Prefiro essa discussão. Mas é impossível ter um casamento perfeito. Sempre assumi e não tenho problema em falar isso. Acho injusto com a gente! Acontece de termos uma discussão ou alguém vê a gente brigando. Isso não significa que vamos nos separar ou que estamos em crise. Senão prefiro largar a carreira e ser anônimo ao lado da minha mulher para cuidarmos da nossa vida. Não temos obrigação de mostrar às pessoas que somos perfeitos ou um casal-modelo. Costumo dizer: se tiver de brigar, discutir, faça! Seja com mulher, pai, amigo. Do contrário, a vida não teria sentido.
Sexo e companheirismo andam juntos?
Sim. Em determinados momentos, você precisa ser amigo e, em outros, amante. Marido e mulher são isso mesmo. Assumimos formas e necessidades constantes. Às vezes, quero que a Julia seja minha colega de trabalho. Em outros momentos, quero que ela me seduza, seja a mulher fatal e amante. É um equilíbrio da relação. Fazemos o possível para estarmos juntos. Atualmente, ela sai às 9h e volta à meia-noite por causa da peça Maria Stuart (em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro). Chego mais cedo do que ela e preparo um jantarzinho. Isso é um casamento moderno e é importante para a mulher ter independência. Afinal, ela tem de ser mãe, mulher, trabalhadora. É muito cobrada.
O Raul, seu personagem na novela, abandonou a família por uma aventura. Você seria capaz disso?
Jamais abandonaria minha família, mas aproveitar a vida não tem idade. Aos 40, a pessoa pode ter vontade de jogar tudo para o alto. Às vezes, ela não vê mais graça no casamento, no trabalho. O Raul representa o homem moderno, o empresário que pensa em negócios 24 horas, briga com o irmão, precisa pagar a cobertura em que vive... Acho legal, no máximo, tirar férias sozinho, viajar. Sou de Peixes e estou sempre me deslocando. Viagem renova qualquer coisa.
Bateu alguma crise depois dos 40?
É o ciclo da vida. Você tem filho e o vê crescendo. Por outro lado, quem o criou envelhece e morre. Fui pai aos 34, então, até os 40, era uma fase nova na minha vida. Miguel veio para me mostrar que a vida está ali. Crise não é uma palavra negativa. Crise é legal. É da crise que você renasce. Se tudo fosse perfeito, você não teria um recomeço. Tenho de estar pronto para isso. Não há frescura. É encarar e viver a vida. Às vezes, você acha que só esta acontecendo com você. Mas eu garanto: mais para baixo não vai. Você bate e volta. É o bonito da vida.
Ainda fica nervoso quando começa um novo trabalho?
Tenho frio na barriga na estreia da novela. Tento ter pouquíssimas expectativas. Quero saber o agora. Estou à margem do rio. O meu prazer é muito maior do que minha autocrítica. Ligo para minha mãe (Rosa, 69) e pergunto se ela gostou: ''Você acha que exagerei na cena? Ficou muito triste?'' Ela é sincera e fala tudo.
Você está mais magro. Teve de emagrecer para interpretar o Raul?
Estou pesando 80 quilos e tenho 1,82 metro de altura. Medi quando fui pegar o caixão do Raul (na novela, o personagem trama a própria morte). Acho que vim no embalo da minissérie Amazônia (exibida pela Globo em 2007) em que fazia um guerrilheiro, que teve malária. Para minha saúde é melhor assim, mas ninguém me pediu para engordar ou emagrecer. O Raul pode se dar ao luxo de ter um corpo neutro. Considero-me vaidoso, mas metrossexual não pega bem no Brasil (risos). Aqui é um país tropical, nós somos praia. É um bronze, um hidratante, uma limpeza de pele... Quando me olho no espelho quero estar bem. É o nosso inconsciente, nos enfeitamos para os outros.
O Raul não soube administrar a crise no casamento e procurou conforto numa relação extraconjugal. Você sempre foi fiel ou já caiu em armadilhas?
Nunca conheci nenhuma mulher como a Yvone (par dele na novela e personagem de Letícia Sabatella). Sempre fui um cara muito fiel, porém já aconteceu de estar namorando e aquela relação estar mal das pernas. Aí você conhece outra pessoa e tem aquela transição, a semana que embola as duas. Uma coisa eu digo: nunca fui de namorar uma, deixar em casa e sair com outra. Não porque acho errado, mas não tinha vontade. Minha vida inteira tive três relacionamentos sérios. A Julia é o quarto. Começamos a namorar em 1993 e já passamos a morar juntos. Gosto de ter uma relação e a fidelidade é importante de ambos os lados.
Como é sua relação com o Miguel?
Procuro estar perto na medida do possível. Conciliando as gravações, dá para almoçar ou jantar com ele. Eu e Julia também fazemos caratê em família há um ano (há três, o ator é praticante dessa modalidade). Acho importante os primeiros 12 anos (de vida). É a iniciação da vida. Nós conversamos sobre tudo com o Miguel. Ele solta cada pérola. Pego-me pensando: ''Meu Deus, o que vou responder?'' Falamos de meninas, eu dou toques, ensino o que é certo. São nos pequenos detalhes que a criação vai ganhando sabor. O Miguel é muito bem-humorado. Ele vê algumas cenas pesadas do Raul e fala: ''Pai, esse cara é meio maluco!''
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