
O quadro do “Fantástico”, “Menina Fantástica”, consagrou um comportamento polêmico até dentro do mundo da moda: não comer para ficar com aquele aspecto de refugiada de guerra e agradar nas passarelas.
Em 2006, representantes de seis das principais agências de modelos do Brasil prometeram passar a exigir exames médicos das modelos a cada seis meses.A medida foi uma reação à morte da modelo Ana Carolina Reston, de 21 anos por males relacionados à anorexia nervosa.
No último domingo, nas cenas cenas gravadas no interior de São Paulo onde as candidatas do concurso estão confinadas, ficou evidente que há entre elas quem sofra de distúrbios alimentares. Uma das meninas, Luara, praticamente não come.
“Não sei como ela consegue”, disse outra participante para as câmeras. “É nojento sentar à mesa com uma pessoa que nem toca na comida. E, quando a gente fala para ela se alimentar, a resposta é ‘me deixa em paz’. Não sei se vale a pena fazer isso para ser modelo”.
Só que na hora da eliminação, os jurados — Betty Lago, Alexandre Herchcovich e André Schilliró — elogiaram as candidatas mais esquálidas. Aparentemente, eles não tiveram acesso às cenas com os acontecimentos da casa e não sabem do problema de Luara.
Betty Lago fez uma observação que traduz o pensamento do júri: “As roupas para a passarela são feitas em tamanho 38. Se o tamanho fosse maior, as pessoas diriam ‘nossa que coisa horrível’”. Luara, a menina que não come, foi a mais elogiada. “Uma modelo pronta” foi o mínimo que se disse dela. Pronta para quê? É a pergunta que ficou no ar.
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