Na tarde desta sexta, 27, a Globo exibiu o último capítulo da novela Mulheres Apaixonadas em Vale a Pena Ver de Novo. A exibição da novela desde o seu primeiro capítulo atingiu ótimas médias para a emissora, muitas vezes acima dos 20 pontos de média. O seu final foi apresentado com quase duas horas de duração, batendo recorde de audiência. De acordo com números prévios do Ibope, o último capítulo da trama de Manoel Carlos atingiu uma média de 26 pontos com pico de 30.
A novela de Maneco cativou o telespectador com suas fortes cenas que não fogem muito do cotidiano dos brasileiros. Em diversos dias, Mulheres Apaixonadas bateu todas as novelas da Globo, salvo a das 9, Caminho das Índias. Não foram poucos os dias que Malhação, Negócio da China e Três Irmãs foram menos vistas que os dramas da trama de Maneco.
Fenômeno:
Mulheres Apaixonadas estreou no dia 17 de fevereiro de 2003, registrando uma média de 45 pontos. Seu último capítulo cravou 59 pontos. A trama registrou em sua primeira exibição, uma média de 46,6 pontos. Já na sua reprise, o primeiro capítulo teve média de 16 pontos.
Show de Realidade:
Estamos acostumados com o termo reality show, bastante comum no Brasil desde o lançamento de No Limite. São atrações que trazem a realidade as vezes ao extremo, como no caso programa citado.
Já as novelas geralmente são obras de ficção sem compromisso com o real, por isso, viajadas na maionese são perdoáveis. Contudo, existe um autor que sabe lidar com a realidade nua e crua. O cotidiano de seus folhetins são quase idênticos aos nossos.
Manoel Carlos sabe como ninguém fazer um diálogo bater lá no fundo de nossa alma e gritar “acorda!”. No último capítulo de Mulheres Apaixonadas isso ficou visível especialmente quando Dóris, interpretada por Regiane Alves, finalmente leva uma bela surra de seu pai, interpretado pelo mestre Caruso, e, logo em seguida, ele a exibe para que todos vejam seu estado lastimável. “Essa é a minha filha, é o exemplo do erro dos pais na educação”. Isso toca fundo, pois sabemos que hoje inexiste diálogos entre pais e filhos.
Também usou e abusou de “loucuras de amor”. Um amor doentio como o de Heloísa ou o amor possessivo e agressivo de Marcos por Raquel, papéis que renderam os melhores personagens das carreiras de Giulia Gam, Dan Stulbach e Helena Ranaldi, especialmente no que trata a violência contra a mulher e a importância da denúncia.
O alcoolismo contou com o brilhantismo de interpretação de Vera Holtz, uma das melhores atrizes de nosso país e que, devido ao seu talento, coleciona papéis importantes e de destaque. Santana mostrou a dura realidade dos alcoólicos.
Por fim, a violência contra os idosos, nos centros urbanos - a polêmica da morte de Fernanda - e o homossexualismo tratado com respeito e não como uma caricatura.
Manoel Carlos tem um dom especial e esse dom é recompensado por seus telespectadores que fazem dele um dos poucos autores que não colecionaram fracassos. Suas telenovelas são sucesso na primeira exibição e merecidamente são as únicas capazes de reerguer a faixa horária da tarde. Dessa vez, Mulheres bateu inclusive a audiência da novela das sete, um tremendo feito.
Por isso, seria um prazer poder re-rever Felicidade, a novela em que aprendi a admirar seu trabalho e também o de Maitê Proença, além de outros nomes como Ariclê Perez e Humberto Magnani.
Na Telinha
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